As férias do Belford

Belford passava as férias todas na Ponta do Escárnio.

Que, apesar do nome funesto, era um belo pedaço de terra. Avançado pro oceano em forma de península, mas alto e recortado como um fiorde, não atraía tanta gente quanto a restinga ao lado porque o mar acabava ficando longe.
Na verdade não atraía ninguém, só o Belford.
Quando entendeu o nome daquele acidente geográfico tão familiar, Belford achou curioso. Ironicamente, ali era o canto do planeta onde ele se sentia mais humano. Pena que ninguém aparecesse lá.

Sexta-feira,

– Por que é tão errático, indômito,
bravio, ainda que idôneo?
Sabe que foge da regra
do consumado bom senso
que acompanha tua idade?
– É que hoje é sexta-feira, dia de maldade.

Capitão Balão (crônica de um herói em extinção)

junho_patii

Cruzava os céus em noites de junho, com seu uniforme multicolorido, quase sempre em curso vertical.

Alguns diziam que ele tinha fogo no rabo. Eu sempre preferi chamá-lo de incendiário.

Vitupério

– E o Vitupério, você tem notícias dele?
– Ah, ele anda empolgadasso com o troll que ele comprou. Só fala disso.
– E que porra é essa?
– É um daqueles robozinhos que você pilota à distância. Um minihelicóptero com câmera. Ele pegou a manha de pilotar o bagulho e agora fica pra lá e pra cá com ele. Até tomou uma prensa do condomínio por ficar espionado os vizinhos.
– Ôchi! Deixa a mulher dele saber disso.
– Pois é. Por enquanto ela tá feliz, porque ele saiu um pouco do computador.
– Aé?
– Lembra, que ele ficava direto no Faceboook, arrumando treta com os outros?
– Nossa. Pode crer! Eu até bloqueei ele um tempo. Mó queima filme.
– Nisso ele melhorou. Agora vai até para os parques com as crianças, brincar com o troll.
– Massa. Isso é bom. Escuta, mas não é drone o nome dessa porra?
– Drone, claro. Que que eu falei?
– Troll!
– Nossa. Viajei. O que que é troll mesmo?
– Sei lá, pergunta pro Vitu. Ele manja desses paranauê de tecnologia.

Um favor

– Que bom que finalmente conseguimos agenda para nos encontrar. Você não sabe o quanto eu sinto falta de conversar com uma pessoa inteligente e original como você!

– Obrigado, amiga! Eu sinto exatamente a mesma coisa. Dá um cansaço conversar com gente medíocre, mas as obrigações sociais exigem certa condescendência com a banalidade.

– Disse tudo! E nos sugam. Como sugam nossas energias!

– E a Melinda, vem?

– Sim, está para chegar.

– Que delícia, o time todo!

– Não me fale em time, que o Fausto me fez assistir um jogo do Bayern de Munique com ele. Contra o Manchester, se não me engano. O estádio é lindo, mas que desperdício usar com futebol. Vai entender esses homens…

– Ah, mas foi na Alemanha, né, querida?

– Ah, sim, a viagem foi deliciosa.

– Pelo menos ele não te levou num jogo do Corinthians.

– Não levou, mas eu vou no Itaquerão, sabia?

– Como assim?

– Na abertura da Copa. O Fausto ganhou um par de ingressos nos camarotes. Vai ter tanta gente interessante, que a gente nem precisa ver o jogo. Ele vê, claro, mas acho que só ele.

– Você tem um marido animado.

– E como. E a festa do Pedro?

– Eu não te contei? Verdade, não nos encontramos desde antes do aniversário do meu bebê. A festa foi incrível, ele adorou, e eu fiz exatamente o que combinamos.

– Toca aqui amiga! Estou curiosíssima para saber, mas vamos esperar a Melinda. Daí eu conto a ela como foi a do Arnaldo.

– Ela não sabe?

– Só por cima, não nos vemos desde o ano passado.

– Ah, então espera.

– E ela diz que tem novidades da festa do Lucas também.

– Que ótimo.

Laura, Lúcia e Melinda eram três amigas que tinham em comum, além de maridos ou famílias ricas, bom gosto e intolerância ao que chamavam de banalidade. Tinham em comum o interesse por arte, viagens, restaurantes e amantes mais jovens, além de uma convicta sensação de que eram especiais.

Desta vez, a pauta do almoço de reencontro das três, o primeiro em mais de um ano, eram as festas de aniversário dos filhos. Isso porque da última vez em que as três se viram pessoalmente, a iminência do aniversário do Arnaldo, 10, filho da Laura, suscitou uma conversa séria em torno das festas infantis que redundou em um pacto: de não se dobrar à praticidade das empresas que promovem festinhas para crianças sempre com meia-dúzia de temas prontos. Afinal, os filhos delas, tanto ou mais que elas, eram especiais.

Tão logo Melinda chegou, Laura atualizou-a dos detalhes da festa do aniversário, realizada há quase um ano.

– Conta, querida. Já sei que você não se dobrou aos famigerados bufês.

– De jeito nenhum. Você não imagina a alegria do Arnaldinho quando eu contei que neste ano a festa ia ser diferente…

– E como foi? Qual o tema? Estou tão curiosa!

– Eu também!

– Bom, – começou a Laura, saboreando o suspense – o Arnaldinho escolheu como tema os grandes compositores, Mozart, Beethoven, Bach, essa turma.

– Nossa, mas que original!

– É que ele está estudando piano, sabe? E gostando muito. Então organizamos um pequeno recital com algumas peças mais simples que ele já toca. Eu fiquei tão orgulhosa!!!

– Que graça, amiga, deve ter sido lindo.

– Foi uma pena vocês duas estarem fora do país no período. Mas paciência.

– Foi mesmo, mas o Arnaldinho tinha que fazer aniversário justo na época da alta temporada nos Alpes?

– Ah, sua esnobe. Rsrs

– Mas como foi, no final das contas? Ele gostou? Os outros convidados entenderam? Sei como é difícil fugir da mediocridade, mesmo entre as pessoas do nosso meio…

– Ele adorou, mas nem todos entenderam, não. Pior, acho que muitas mães não quiseram gastar com os trajes para elas e os filhos e acabaram não indo. Porque o convite era explícito: “obrigatório traje de época”.

– Ai, que mãos-de-vaca! Desperdiçar uma oportunidade dessas.

– Eu fui muito didática, sabe? O convite vinha com desenhos, feitos por um estilista amigo da família, com as peças que deveriam ser usadas para compor o traje, incluindo a peruca. Para meninos e meninas, jovens e adultos. Só o convite custou mais do que esses bufês chinfrins cobram pela festa toda. E a decoração, então? Pense em um túnel do tempo. Em uma noite, minha casa foi transportada para Viena do século XVIII. Com os mínimos detalhes.

– E eu perdi isso!

– Perdeu mesmo.

– Deve ter custado uma fortuna, não?

– Ah, custou. Mas sabe, né? Não economizo quando se trata do Arnaldinho. A cultura e a educação dele são prioridade.

– E ele aproveitou bem? Você disse que alguns amiguinhos não foram por causa da pão-durice das mães.

– Ele não ligou, não. Acho que até preferiu uma festa mais íntima. “Minha arte é para poucos”, foi o que ele me disse.

– Nossa!!! Esse tem futuro, hein? Parabéns, Laura. Seu filho está no caminho certo.

– Bom, foi isso. E vocês? Disseram que iam me contar como colocaram em prática nosso plano…

– Primeiro você, Melinda!

– Ah, a minha certamente não foi tão luxuosa quanto a da Laura. Mas atendemos, à medida do possível, todos os desejos do Lucas.

– Ah, pobrezinha… Quem ouve isso pensa que você está passando necessidade.

– Ela é da ZL, tadinha.

– Rsrsrs. Vocês são terríveis. Não perdoam eu ter nascido na ZL.

– Verdade. Podia ser bem pior. Mas conta como sua festa pobrinha, querida.

– Não foi pobrinha. Só não torramos dinheiro.

– Então nem conta.

– Não me provoquem! Mas vamos lá: o Lucas está gostando muito de pintar. Nem sei se é a vocação dele, porque ele é muito novinho. Fez só 6 anos.

– Nossa, que bebê!

– Pois é. A gente procura o estimular ao máximo. Música, pintura, esportes. A gente o coloca em contato com tudo. E ele tem desenhado e pintado muito.

– O tema foi pintura, portanto?

– Não pintura em geral. Optamos pelos impressionistas. Foi uma escolha minha e do Paulo, sabe? Porque é o nosso período favorito, mais até que o Renascimento. Os desenhos do Lucas têm mais cara de Picasso, Basquiat. Ele é bem cubista e tem um certo jeito pra pop arte, grafite. Gosta de rabiscar!

– Normal. É da idade.

– Houve um certo contraste entre os trajes e a decoração e os trabalhos da garotada, só que, como eu disse, essa fase é de estimular.

– Trajes, que bacana! Como foram?

– Os meninos vinham vestidos de pintores impressionistas: Monet, Renoir, Pissarro, Gaughin, Dégas… E o Luquinha, claro, foi de Van Gogh.

– Que fofo! Com chapéu de palha, barba ruiva e tudo?

– Sim! Tinha mais uns três Van Goghs na festa, mas ele era o mais perfeito. Colocamos até uma faixa no rosto dele, para simular aquele ferimento da orelha. Depois eu mostro as fotos.

– Deve ter sido linda a sua festa.

– Eu gostei! Aquelas crianças correndo pra lá e pra cá como miniaturas de pintores impressionistas foi praticamente um sonho. E, claro, deixamos muito material de pintura à disposição deles. Cavaletes, telas, tintas e pincéis de todo o tipo.

– E a sujeira?

– Nós nos precavemos. Alugamos um salão e pegamos leve na decoração, porque sabíamos que as crianças fariam algum estrago. Ah, e na metade da festa, parte deles nem estava mais com os trajes. Mas todos se divertiram muito. E, no final, encerramos a festa com uma exposição das obras das crianças.

– Que fofo! Você é muito criativa mesmo, Melinda. Queria muito ter ido. Mas não sei se toleraria tanta indisciplina.

– Ah, são crianças pequenas. Não é a fase de podar.

– Isso lá é. Como o Arnaldinho cresceu um pouco, eu já nem lembro tanto dessa idade dele.

– Pergunte pra babá!

– Ah, sua vingativa!

– Brincadeira.

– Bom, e a Lúcia? Como foi que você rompeu com a banalidade das festinhas infantis? O Pedrinho está com 11, né?

– 12! E gosta muito de cinema. Ele é fã do Poderoso Chefão. Tem a trilogia, começou a ler os livros.

– Que chique!

– Ele é muito ligado à elegância desses filmes de gângster. Gosta de vários outros, mas esse é o favorito dele.

– E a festa foi com esse tema?

– Sim. A festa foi totalmente baseada em Godfather. Um carro da época trazia os convidados, todos com o figurino daquele período, da entrada da nossa fazenda em Petrópolis até o salão principal. A decoração não foi tão difícil, porque a casa da fazenda já tem um estilo parecido com as do filme.

– Mas o segundo filme se passa em várias épocas, não?

– Ah, esse foi um dos nossos truques. Oferecemos opções de figurino: os convidados podiam usar aqueles ternos e cabelos engomados dos períodos intermediário e moderno de Godfather ou vestir-se como imigrantes italianos norte-americanos do início do século passado, que é o período do começo da saga.

– E alguém quis?

– Sim. Muitos pais preferiram. Houve casos em que os pais foram com esse figurino mais simples, e os filhos de terninho.

– Que amor!

– E mantivemos um quarteto de cordas tocando a trilha sonora do filme, que é belíssima.

– Deve ter sido maravilhosa, Lúcia. Acho que até a Laura iria gostar.

– Iria mesmo. Mas eu queria muito ter ido na festa do Luquinha também, sua boba!

– Eu sei.

– E o Pedrinho ficou feliz com o resultado?

– Ele adorou. Os olhinhos dele brilhavam! Ele tem muita personalidade, sabe? Quis participar da organização da festa, item por item, fiscalizar se ia tudo bem. Vetou várias escolhas minhas.

– Nossa, acho que é um caso de vocação também, não?

– Com certeza. Na festa mesmo ele não quis ficar correndo de um lado para o outro, preferiu ficar sentado em uma grande cadeira – totalmente caracterizado como o Marlon Brando no filme – com um segurança, que ele chamou de “capanga”, de cada lado.

– Mesmo?

– Mesmo. Para garantir que tudo funcionasse direitinho, ele disse. E, quando um garoto brigava com outro ou chorava, ele fazia questão de que fosse até ele para solucionar o caso. Era ele quem dava o veredito.

– Bem fiel ao filme, mesmo, hein?

– Muito. Acho que ele tem vocação para cineasta ou produtor. É muito observador e gosta de tudo certinho.

– Que beleza!

– O Pedrinho só ficou chateado que o Raul não pôde participar da festa. Ele ficou tão orgulhoso da organização toda, queria tanto que o pai visse. Eles são muito ligados.

– Que triste. Mas por quê?

– Ah, o Raul teve de viajar às pressas para o Panamá para resolver questões fiscais urgentes. Não podia adiar nem enviar outra pessoa.

– Puxa!

– O Pedrinho entendeu. Ele é muito maduro. E mais: quando o pai voltou, ele agradeceu ao pai pela festa, porque sabe que custou caro, disse que gostaria de retribuir à altura.

– Que lindo!

– Não é? Até eu fiquei surpresa.

– Não é surpresa, não. Você e o Raul merecem.

– Todas nós merecemos! Um brinde. A mais uma vitória contra a banalidade e a mediocridade.

– E aos nossos filhos! Eles são o futuro deste país.

 

Prólogo

– Pai, obrigado pela festa!

– Imagine, filhão. Você merece.

– Mas eu sei que você gastou muito. Gostaria de poder retribuir à altura.

– Não se preocupe com isso agora, filho. Mas lembre-se de que eu te fiz um favor.

Lamento

  • Eu lamento como tudo isso aconteceu. Fiz sem pensar.
  • Então você admite que errou?
  • De forma alguma, mas eu queria ter feito de caso pensado.

Novidades

O Blog do Tatá acaba de adicionar um link à aba de blogs favoritos:
O Talo da Brabera! http://talodabrabera.blogspot.com.br/
Recomendo! Política e cultura underground de primeiríssima linha;

Do amigo e grande apoiador do underground Ganjacore, que também é visita obrigatória para quem curte música boa (e pesada, mas não só):
http://ganjacoreblog.blogspot.com.br/

Job de sábado

Não gostava de fechar trampo no sábado, embora a maioria fosse. Pelos outros. Todo mundo tem direito de curtir o fim de semana, ainda que seja o último.
Cortava a brisa alisando a pistola. Trava, destrava, sente o peso do pente… Entrava em sintonia com a frieza do metal. Era sábado à noite e ele tinha uma família pra matar.
E o celular vibra, puta-que-pariu um dia jogo essa merda fora, era o chefe:
– Cancela o job. Acabou a greve.
– Que greve?
– A greve dos coxa, porra!
– E desde quando a gente precisa de greve pra fazer o serviço?
– Bom… Faz. Mas fica esperto.
Fez. Ele não estava em greve.

Coisa do capiroto

Ninguém entendeu o que levou Fúlvio tão rápido pra lama, nem o que o manteve tanto tempo lá. Mas todos davam seus palpites, e até ajudavam-no com dinheiro, comida, e o que desse pra dar. Quem desvendou o enigma foi o Costa, bicho escolado, ligeiro como ele só:
– O que pegou o Fúlvio de jeito foi a rima. Começou quando ele tava todo todo, olhando tudo de cima. Chegou devagarinho e acertou o cara sem defesa. Deu até dó.
O povo do trampo tentou dar um toque, mas ele não quis muita prosa. Agora tá nesse bode, nessa fossa.
– Vamos chamar ele prum rolê, ver se ele anima! – conclamou o Osvaldo.
– É isso aí – apoiou o Beto – Vamos quebrar a métrica do cara na surdina.
– Fechou – chegou junto o Gastão, que se encorajou com a maioria – Prosador como o Fúlvio não merece ficar nessa, de cara pro asfalto, assim nessa agonia.
– Mas cuidado, galera, que poesia não tem vacina – logo advertiu o Costa, que conhecia bem a sina.
– Pensando melhor, sei lá, de repente o cara tá bem – soltou um meio sem jeito.
Logo ganhou apoio, e assim nada foi feito.
Rima é coisa do capiroto.

Dedinhos

O céu carregado despejava litros e litros de melancolia sobre São Paulo naquele janeiro cor de chumbo desbotado. O ano de 2017 começava com cara de poucos amigos, e o horizonte curto daquela sexta-feira reforçava a sensação de falta de alternativas. Como se as resoluções de ano novo, levadas pela primeira enxurrada, pedissem imediata substituição pela lista do que eu não podia ter feito no ano anterior, já que o presente boiava na mais miserável ressaca. O mês nem tinha terminado e eu já estava cansado do ano…

– Mãe, passa a travessa?

– Qual?

– A dos dedinhos.

– Ai, eu errei a mão nos dedinhos hoje. Não ficaram crocantes do jeito que vocês gostam.

– Imagine, meu amor. Ficaram ótimos.

– Você é um fofo. Sempre elogia, mas eles precisavam de mais cinco minutos de forno.

– Estão bons assim, mãe. O pai tem razão. A carne está macia. Uma delícia.

E estavam mesmo. O Gustavo estava certo. Ele elogiaria de qualquer modo, claro. Era um jovem muito educado. E a Letícia, uma cozinheira de mão cheia. Qualquer que fosse o ponto, seus pratos jamais ficavam ruins.

– O que você estava pensando, Petrus? Você está tão quieto.

– Na chuva. E na família maravilhosa que eu tenho.

– Besta. Não é isso que você pensava.

– Pior que era. Pensei no filho educado que temos e no quão atenciosa você é conosco.

– Que lindo!

– Obrigado, pai.

– Às vezes eu me sinto mal por ajudar tão pouco na cozinha.

– Você ajuda bastante. Faz pratos deliciosos no fim de semana.

– Mas durante a semana você faz tudo…

– E faço com prazer. Cozinhar quando chego em casa me relaxa, sabia? E é muito mais saudável fazer nossa própria comida que comprar pronta.

– Isso é verdade.

– Ainda mais com a nossa alimentação. É cada vez mais raro encontrar carnes como essa por aí.

– Eu que o diga. Eu sofro quando os colegas convidam para almoçar. Somos uma minoria hoje em dia, sabia?

– Somos mesmo, mãe.

– Eu sei. As meninas lá do trabalho raramente comem carne. São quase todas vegan ou vegetarianas.

– Na facul, são todos vegetarianos.

– O povo do trabalho até come carne, mas torce o nariz quando digo que prefiro carne humana.